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Memória e História

25 de Abril de 1974 simboliza o início de um caminho de profundas transformações económicas, sociais e culturais, que tiveram como motor as opções democrática e europeia
de Portugal. Já em março de 1974, no exilio em Paris, Mario Soares escrevia:

Qualquer coisa mexe, finalmente, em Portugal.

Chegado a Lisboa, a dia 28 de abril, Mario Soares dirigiu-se a multidão que o aguardava na estação de Santa Apolónia para o saudar e afirmou:
Quero dizer uma palavra para as Forças Armadas. Restituíram a voz e a alegria ao Povo português, acto histórico que não podemos esquecer. Mas é agora ao povo, aos trabalhadores, que compete a tarefa principal, organizar a democracia e por fim à guerra colonial.
Meio século depois, o país mudou profundamente. Os valores da liberdade, da democracia, do primado da lei, do respeito pelos direitos Individuals e da escola pública, entre outros, traduziram-se numa sociedade mais próspera, aberta, livre e igualitária. No entanto, estas conquistas, que definem a posse de um poder inalterável de que todos os portugueses passaram a ser portadores com o início da vida democrática, não são continuas nem infinitas, não são homogéneas nem isotrópicas. Já em 1977, no âmbito das celebrações do 10 de junho, o primeiro após a Revolução dos Cravos, Jorge de Sena alertou no seu famoso Discurso da Guarda para a “comemoração de um país que não existe”. Que não mudou com o 25 de abril?

Vivemos numa atmosfera de balanço dos últimos 50 anos. Seja por termos herdado um património político cuja origem e finalidades se afiguram ao espaço público a um tempo familiares e distantes, seja por fazermos desse património um uso maioritariamente passivo, seja ainda por raramente refletirmos sobre o teor arquipelágico da sua concretização efetiva no tempo presente, com as suas fissuras, os seus hiatos, os seus pontos de fricção e as suas descontinuidades, certo é que opções políticas e valores aparentemente consolidados e consensualizados na sociedade portuguesa se apresentam sob ameaça de uma nova configuração. Meio século volvido, que mexe, desta vez, em Portugal? Em que sentido?

Porque ainda está sempre tudo por fazer, somos interpelados a tirar partido da efeméride para revisitar os valores de Abril e afirmar uma sociedade mais conhecedora da sua história recente e mais participativa, plural e democrática. Ainda que involuntárias, somos todos testemunhas.
Que abril vês?! Ver, Olhar e Interpretar um cartaz de Abril eis o Desafio colocado aos alunos do 12.° Ano das turmas B, C, K, H, M. O, P e Q.
50 Anos de Abril de 1974: Passado/Presente promove uma reflexão assente nos princípios e valores subjacentes ao Programa do MFA, reflexão essa sobre os maiores problemas da sociedade portuguesa atual, decorridas cinco décadas da revolução dos cravos, problemas esses que há que ultrapassar na construção de um FUTURO: Paz, Liberdade, Democracia e Progresso.