O convite à participação na Contextile 2014 é uma oportunidade para olhar distanciadamente sobre o trabalho desenvolvido dentro das paredes de um edifício chamado Escola Artística António Arroio onde 1500 indivíduos diariamente se cruzam e se expressam em fazeres artísticos experimentais e orientados. Este quotidiano entre-muros, poderoso, imparável e futurista, move-se a energia humana gerada entre obstáculo e transposição, oportunidade que não volta mas gera outra, diferente, mais exigente. É este o nosso caminho e o nosso processo, da apropriação ao desenvolvimento da ideia, através de contextos, experiências, técnicas, saberes e competências. Um percurso formativo tão solitário quanto colectivo; olha-se para trás e somos surpreendidos por memórias, especulações, fusão e confirmação de uma realidade em camadas que nos continua a transmitir confiança.
Imaginando que olhamos através das paredes deste edifício e nos tornamos observadores de nós próprios.
Deparamo-nos com dinâmicas muito diversas em que cada protagonista dá de si-próprio para um resultado mais visual, mais táctil, sonoro ou sinestésico. Algures, a nível do segundo piso víamos o departamento têxtil: espaços de trabalho rodeados de árvores exteriores, mas presentes à transparência, ou de sombras ou de outras salas de outros departamentos, para que nos possamos surpreender e sentir uns aos outros, sempre a ferver de materiais, de teares em laboração, de tintas, de imagens, representações e diálogos.
Estes são os lugares de origem destes trabalhos cujas fichas técnicas serão sempre incompletas pois têm muito de indizível entre isto e aquilo e muito mais.
Estamos muitos gratos pelo convite dirigido ao Curso de Produção Artística, Especialização em Têxtil que proporciona uma reflexão e uma oportunidade de circulação e troca.
Ana Gonçalves, professora do Curso Têxtil.

