Inaugurou no sábado, dia 5 de Setembro, a Contextile 2020 – Bienal de Arte Têxtil Contemporânea de Guimarães. Esta edição da bienal, assente na ideia “Lugares de Memória”, conta com a participação da especialização em Têxteis na Exposição Emergências: Educação e Criação Têxtil. O evento conta também com a participação de Afonso Carrôlo Gonçalves, ex-aluno da António Arroio, e um dos artistas selecionados para expor o seu trabalho na Exposição Internacional. Para mais informações e conteúdos poderão visitar a página oficial do evento em https://contextile2020.pt
Deixamo-vos o texto que acompanha a participação na Exposição Emergências:
Lugares de Memória – manifesto de um estado de exceção e de suspensão
Assumimos a interrupção abrupta que este estado de exceção impôs nas nossas vidas. Convocamos o suspenso e a tentativa de continuidade remediada, à distância. Avocamos também a memória do que ficou inacabado, tingido, estampado, tecido e, sobretudo, não tentamos acabar o que não pode ser acabado na expectativa de apre(e)nder outro algo. Através do Têxtil, em casa e com métodos não convencionais, aproveitamos esta oportunidade para reinventar, construir e apropriamo-nos de outros lugares que, muitas vezes, não são físicos mas nem por isso são menos memória. Aceitámos o trabalho com estas condicionantes, como numa equação de espaço e tempo, entre o que já aconteceu, o presente – esse fugaz instante – e o que está por vir. Vislumbrámos os cenários inacabados como lugares potentes de memória: memória do que se fez, do que se podia ter feito, do que se poderá vir a fazer. Percebemos, também, que um lugar de memória é passível de ser tão nosso quanto o foi de Outro e tão de Outro quanto nosso. Aqui, o Têxtil como memória de um gesto, de uma ação, de uma vontade, de uma emoção e de um sentimento. É a partir do Têxtil que sentimos, que pensamos e que criamos a potencialidade de Outros habitarem, também, o que foi nosso.



